Eu tenho a nítida lembrança, já como adulta, do meu pai me falando que eu fui uma filha adolescente “fácil”, ou seja, daquele tipo que não preocupa muitos os pais. Aliás, interessante notar que meu pai e minha mãe têm pouquíssimos cabelos brancos, mas, deixa pra lá, esse post não é papo para cabeleireiro!
Ele justificou o fato de eu ter sido essa adolescente fácil, pois sempre contei tudo para eles, desde o que acontecia nas baladas, até os problemas, dificuldades, quem eras os namorados, enfim, tudo o que pode acontecer durante a adolescência.
Legal, não é?
Acho que o meu perfil é esse mesmo, de contar e compartilhar, mas, sem nem saber, acabei estabelecendo um canal de confiança bastante importante com os meus pais. Lógico, que isso não depende apenas do perfil da adolescente, mas também do dos pais, afinal para a gente contar e compartilhar as coisas, o canal do outro lado tem que ser bem bacana, atento, interessado, receptivo, compreensivo e de confiança.
Não, os meus pais nunca foram os meus melhores amigos e não acho que deveriam ter sido. Sim, eles já me deram broncas e acho que deveria ter sido exatamente como foi.
O que eu estou dizendo é que deve haver uma forma de que a comunicação aberta se estabeleça entre pais e filhos e isso aconteceu de forma natural para mim, como já expliquei. Mas, mais importante do que a comunicação, é que ela permeie a confiança e a verdade sempre, sempre e sempre!
Claro que a gente deve ter segredos que não compartilharemos com os pais, isso faz parte, mas acredito com todas as minhas forças que comunicação gera confiança e isso é extremamente tranqüilizador e saudável para todos os envolvidos, especialmente quando falamos de uma família.
O meu pai era tão tranqüilo e confiante nas filhas que estava criando (tenho uma irmã 2 anos mais nova do que eu) que costumava dizer: “se vocês forem chegar depois das 5 da manhã, pelo menos tragam o pão fresquinho!”. E o cara dormia! Até de roncar enquanto as filhas estavam na balada. Daí, certa hora, a gente chegava, o cachorro latia e pronto! Ele podia dormir mais profundamente e roncar ainda mais alto.
E é engraçado e interessante como repetimos as coisas que vivemos com os nossos pais. Desde sempre e até de maneira inconsciente, procuro estabelecer esse tipo de comunicação baseada na verdade e na confiança com os meus filhos. Lógico que eles ainda são pequenos e as verdades e confianças que estabelecemos com crianças são diferentes, mas já existem e é assim que plantamos sementinhas diariamente.
Essa semana colhi frutos. Duas vezes. Dois dias seguidos. A minha filha Manuela, com 4 anos, quis me contar alguns acontecimentos da escola, me pediu segredo e armou todo um esquema para a conversa. Não importa o assunto, independente da idade dela, é claro que vai parecer infantil, mas era um certo segredo, uma certa dificuldade que ela quis dividir comigo. Pediu segredo e perguntou se não ia levar bronca, tadinha!
É claro que não, nem motivo tinha! Eu realmente achei uma graça e morri de orgulho e de admiração pela minha filha, por perceber que, apesar da pouca idade, já temos esse canal de comunicação e de confiança bem estabelecido e fortalecido.
Fiquei feliz da vida!!
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Camila
Camila Colla Duarte Garcia, mãe em dose tripla, psicóloga de formação, são-paulina pelo bem do casamento. Blogueira de coração, e Difusora de Felicidade da Estante Mágica. Uma meiguice de pessoa!
concordo. super.
eu não sei se meus pais me classificariam como “fácil”, mas me orgulho e muito do canal aberto entre nós.
da delícia de contar pra e com eles os momentos bacanas ou não da adolescência e até hoje, dividindo a vida adulta.
espero de coração que eu trilhe o mesmo caminho com o isaac.
bjocas
O canal aberto é realmente o segredo, não é, Carol??
Bjos,
Camila
Eu acredito na comunicação SEMPRE. Sincera, honesta.. esse canal aberto tão necessário. Acredito tanto que tentarei sempre plantar essa sementinha da conversa no coração do Heitor. Justamente porque não o tive em meu desenvolvimento. Meus pais fizeram o melhor possível, mas a comunicação era (e é) restrita a trivialidades. Quero fazer diferente. Quem sabe?
Tenho certeza que vc vai fazer, Rê! O Heitor vai ter a sorte de ter vc como mãe!
Super bjo,
Camila